O Bom e Sagrado Caminho Vermelho

Em nossa caminhada, levando a cura através da medicina da Arte Xamânica a muitos irmãos e irmãs, recebemos inúmeras bênçãos, sejam por palavras, gestos, sorrisos, alegrias, descobertas e a amizade que vamos fortalecendo com cada um que vem compartilhar conosco esta sagrada medicina.

Assim, através da beleza da entrega e do amor incondicional, o Grande Espírito coloca em nosso caminho as bênçãos de receber e compartilhar informações verdadeiras e embasadas no profundo conhecimento das culturas ancestrais espalhadas pelo mundo e pelo tempo, que compartilhamos com todos aqui neste espaço sagrado, por saber que o "Tempo das Nuvens Negras" chegou ao fim e a luz da informação e do conhecimento nativo verdadeiro deve ser transmitido com urgência a todos os buscadores da luz.

Como diz Hotashugmanitu Tanka: "estamos aqui para semear e compartilhar, fazendo brilhar a Roda do Arco Íris neste início do Tempo do Búfalo Branco, trazendo a consciência da totalidade, a paz e a serenidade para os irmãos de todas as cores".

Que assim seja!

Marcelo Caiuã e Bianca Martins


Sun Bear - Ojibwa Medicine Man (1929 – 1992)



                
“Sun Bear nasceu em 1929 na Reserva de Terra Branca, em Minnesota. Ele foi fundador e Chefe da Medicina da Tribo Urso. Quando era um jovem rapaz, começou a ter visões que pressagiavam o seu desenvolvimento como um homem de medicina e professor. Ele estudou com seus tios, que eram homens de medicina, e continuou durante toda a sua vida a aprender com seus sonhos e visões, bem como com os professores nativos.

Sun Bear tinha um grande coração. Ele era um homem verdadeiramente bom, cuja sinceridade foi tranqüila e despretensiosa. Ele também tinha um grande senso de humor. Eu estava sempre cheio de admiração pela maneira como ele juntava tantas pessoas diferentes e do jeito como ele facilitava oportunidades para as pessoas. Quando ele me convidou para ensinar nos Estados Unidos, foi uma direção inusitada para eu tomar, mas eu sempre mantive o povo indígena em alta conta e agradeci a oportunidade.

Foi através dos ensinamentos de Sun Bear nos Encontros de Roda da Medicina, que eu vim a ser conhecido nos Estados Unidos; e assim tudo de bom que ocorreu na minha vinda para os Estados Unidos, eu devo a ele. Fiquei muito triste com sua morte prematura e espero que a Tribo Urso sempre exista para continuar o trabalho deste Grande Homem no mundo.

Sun Bear sempre tinha tempo para as pessoas e seus problemas, mas ele acreditava em ajudar as pessoas a se ajudarem. Eu o ouvi dizer em várias palestras públicas, que se as pessoas queriam que ele sentisse pena delas, pena elas poderiam encontrar entre shit and syphilis no dicionário, mas que não era isso que ele fornecia. Ele dava apoio para as pessoas que estivessem realmente dispostas a trabalhar a si mesmas. Ele dizia:

- Se as pessoas estão dispostas a se envolver com os ensinamentos, então tudo é possível.

Eu tive várias conversas com Sun Bear sobre este tema e descobrimos que tínhamos muito em comum em termos de trabalhar com pessoas.”

Lama Lineage Ngak’Chang Rinpoche

   

“Quando você estiver completamente misturado com todas as coisas, então você realmente fará parte do Todo.”




Pedras que demarcam o Espaço Sagrado,
O elo da vida que se completou.
Que venham a Águia, o Coiote, o Urso cantar
Com o Grande Búfalo Branco.
Aqui, saudamos os ventos da mudança,
Louvamos o Avô Sol,
Aqui, exaltamos a integridade de tudo
Que unido se torna um só

Canção da Meia Noite (Jamie Sams)

Eu vi de cima de um morro, árvores, e passava uma brisa suave. Os capins da pradaria movimentavam-se gentilmente. Então, eu vi um círculo de pedras, aproximdando-se para o Centro da Roda, o Arco Sagrado do meu Povo. Dentro do Centro do Círculo, tinha um crâneo de Búfalo, e chegando ao desfiladeiro, de 4 Direções, achamos animais. Assim, o Círculo se fechava, e vi que nosso povo não usava roupas e adquiria os costumes animais. Ele se movia para o Círculo e cada grupo na direção do Sol, fazia um círculo completo, antes porém, eles estabeleciam seu lugar na Roda.

Primeiro, as pessoas chegavam do Norte, o lugar do inverno, o tempo de descansarmos e à Mãe Terra. O lugar que representa o tempo quando nós teremos cabelos brancos de neve em cima de nossas cabeças, quando nos prepararemos para mudar mundos e formas. Então, aqueles que terminaram subiram para o Leste, o lugar da consciência, do nascimento e da primavera, o lugar que representa humanos nascendo e começando. O próximo lugar representava o Sul, o tempo do verão, os anos de frutificar e rápido crescimento. Então, tinha o povo que chegava para o Oeste, o tempo de abandonar-se. Quando nós colhemos nossos resultados, quando nós obtemos o conhecimento necessário para centrar-mos a nós mesmos. O Oeste é o lar do Vento Oeste, o Pai de todos os Ventos.

Todos os povos estavam cantando a canção das estações, de seus minerais, de suas plantas e de seus totens animais. E eles cantavam canções de cura da Mãe Terra. Um líder deles dizia: “Façam a Medicina do Círculo Sagrado prevalecer. Façam muitas pessoas em torno da Terra chegarem ao Círculo. E façam preces à Mãe Terra.” Nesta visão, nós reuníamos os povos de todos os Clãs, de todas as Direções, de todos os totens, e em seus corações eles carregavam a paz. Essa é a visão que eu vi.

Quando você estiver completamente misturado com todas as coisas, então você realmente fará parte de um Todo. O conhecimento da Roda Medicinal é necessário em seu tempo. Nós sentimos que a humanidade é para crescer, nós deveríamos todos ter um entendimento sobre o meio ambiente. Vocês se afastaram das coisas naturais, o que lhes causou muitas doenças. Hoje muitas pessoas estão tentando restabelecer seu equilíbrio com a natureza. Pessoas estão se voltando para alimentos naturais e cura natural, e existe um grande movimento de volta à Mãe Terra.

Mesmo em sua sociedade industrializada, vocês estão sentindo a necessidade de restabelecer o equilíbrio com a natureza. Existe um mundo mágico onde todas as coisas estão conectadas com você, e você está conectado com todas as coisas. Este mundo mágico consiste de uma real e linda Terra, sempre a nossa volta e todas as suas relações nela. Vocês têm esquecido que nós estamos conectados às nossas relações na Terra, não apenas com a nossa família humana. Vocês têm esquecido de sua responsabilidade para com todas essas relações, assim como temos responsabilidades com nossas famílias humanas.

Vocês têm se aprisionado a si mesmos nos pequenos mundos que criaram. Vocês têm esquecido de ouvir as estórias e canções que os Ventos podem trazer para nós. Vocês perderam a habilidade para escutar as plantas, elas nos contam como podemos nos alimentar para viver com saúde. Vocês perderam a habilidade de ouvir os animais, eles nos dão sua dádiva de aprendizado, riso e amor. Vocês têm cortado a si mesmos de todas essas relações, e ficam maravilhados quando podem reatá-las. A Roda Medicinal é um Círculo Mágico, que engloba todo o mundo. Assim, você andando nele, o achará maravilhoso de dentro e de fora. Com tenacidade, você descobrirá a maravilha de saber sobre você mesmo.

Quem é você? O que você quer? E o que você pode fazer nesta hora da vida? Meu povo sabe sobre o Círculo Mágico. Nós o respeitamos e o usamos todos os dias da nossa vida. Quando nós construímos nossos lares, é em forma de círculo. Quando nós vamos purificar nossos corpos ou nossas mentes, é dentro do círculo, que representa o útero materno e o útero da Mãe Terra, que nos sustenta enquanto vivemos. Quando chamamos para um Conselho, nós fazemos um círculo, então tudo é incluído, em igualdade, com voz igual. Quando fazemos música, nós fazemos em volta do tambor.

Nós dançamos em círculo. O rítmo do tambor representa o rítimo de nossos corações e o rítmo da Mãe Terra. Quando dançamos, levantamos nossos braços através dos paraísos, do lugar acima da Terra, para o Céu e para a Terra, com nossos corpos como transmissores. Nós vemos a vida, como um círculo de vida para o norte, para o renascer. Nós sabemos como aprender e celebrar os ciclos de nossas próprias vidas. Tanto que somos hábeis para fluir com a mudança de energia que chega com as diferentes idades.

Nós sabemos, que nós, como as estações, passamos por várias fases, assim como o Círculo da Vida e o tempo, passam à nossa volta. Nós sabemos que o tempo é a queda de rítmo, quando a vida cessa de crescer. O Círculo é tão importante para nós, tão essencial para vivermos, que desenha nossos caminhos. Para relembrar o Círculo, lembre-se que você sempre está viajando ao redor dele. Entrar no Círculo, é um ponto, e quando nós entramos no Círculo, ele nos dá poderes, dádivas e responsabilidades. Nosso ponto inicial é determinado pela Lua (mês) sobre a qual nós nascemos. Diferentes pontos iniciais são governados por diferentes Clãs ou Elemento ao qual cada um de nós está ligado.

Os Clãs Elementais determinam nossos relacionamentos para com os outros elementos e para com os outros pontos da Roda Medicinal, e não são estáticos. Os pontos iniciais também são governados por um Espírito Guardião de uma Direção. Em nossa visão, as pessoas não estão limitadas na sua posição inicial, Direção ou Clã. Elas devem viajar tão longe quanto puderem em volta da Roda, experimentando as lições, mudanças, forças e fraquezas de tantas posições quanto possíveis. Cada posição tem algo para nos dar, algo que engrandece e enriquece nossas vidas. A essência da Roda Medicinal é o movimento e a mudança. Através desse conhecimento, nós nos esforçamos para permitir a nós mesmos a mudança necessária. Nós sabemos que nós contemos todas as manifestações dentro de nós mesmos. Se nós abrirmos nossos corações, a luz do amor e a Unidade, que criou o Universo, poderá brilhar e iluminar o mundo.

Sun Bear

“A essência da Roda Medicinal é o movimento e a mudança.”

A Dança da Roda Medicinal


Roda de Cura criada por Wakan Wood - Artesanato Xamânico
Para dançar com a Roda, é preciso aprender os passos da dança. Como a maior parte das cerimônias são baseadas na Mãe Terra, a Roda Medicinal, apresenta-se bem simples. Trata-se de uma estrutura de 36 pedras. Ainda existem inéditos níveis de significado para este simples círculo e as linhas internas do círculo. Para entender a dança da Roda Medicinal, você deve primeiro saber que a Roda Medicinal é uma visão simultânea de 20.000 Rodas Medicinais. Essas Rodas Medicinais serviam para muitos propósitos para o povo nativo da América do Norte.

Elas eram o cerimonial central da cultura, laboratórios astronômicos e lugares que as pessoas poderiam chegar para marcar o tempo e mudar as suas próprias vidas, assim como a vida da Terra. Elas eram lugares para rezar, meditar, contemplar o grau de entendimento de nós próprios e nosso relacionamento com toda a Criação. Rodas Medicinais eram usualmente colocadas em áreas onde a energia da Terra poderia ser fortemente sentida e seu uso na cerimônia faz esta energia ficar ainda mais forte. Consequentemente, áreas da Roda Medicinal fazem com que o corpo chame novos vórtices: lugares de intensas energias da Terra e de cura. As novas áreas onde tem Rodas Medicinais têm sido construídas e servem para a mesma função.

Formas de Rodas Medicinais existem por todo o Globo desde o Grande Círculo de Pedras da Europa até as Mandalas na Índia. Todas elas são remanescentes do passado, quando o mundo era guiado pela lei de relacionamentos corretos, respeito humano a todos os seres, A Todas As Nossas Relações – minerais, plantas, animais e espíritos em cima da Mãe Terra. Estudar a Roda Medicinal ajuda você a lembrar sua conexão com todos os aspectos do Universo. Cada pedra na Roda Medicinal é uma ferramenta para ajudar você a entender traços de seu passado que moldam o presente e o futuro planetário. Cada posição na Roda Medicinal afetará diretamente a você e algum ponto de sua vida.

A Pedra do Criador, é o Centro da Roda Medicinal, assim como o Criador é o Centro de toda vida, sempre criando, começando, encerrando, sempre movendo a Roda, sempre continuando. Deste Centro irradia a energia que cria todo o resto da Roda. As sete pedras que circundam o Criador formam o Centro do Círculo da Roda e representa a Fundação de toda a vida.

Ligeiramente para o Suldeste está a pedra que representa a Mãe Terra, a entidade que nos dá o nosso lar e as nossas vidas. Continuando no sentido do Sol (sentido horário) como sempre fazemos quando usamos a Roda Medicinal, está a pedra do Pai Sol que esquenta e nutre a vida. A Próxima é a Pedra da Avó Lua, que gira nossos sonhos e visões, acompanhada pela pedra do Clã da Tartaruga, representando o Elemento Terra, o Clã do Sapo, representando o Elemento Água, o Clã do Pássaro Trovão, representando o Elemento Fogo e o Clã da Borboleta representando o Elemento Ar. Estas sete pedras ensinam sobre a construção básica dos blocos de vida.

As pedras ancoradas para o Centro do Círculo da Roda Medicinal, estão nas quatro pedras honrando os Espíritos Guardiões das Quatro Direções: Wabose, no Norte; Wabun, no Leste; Shawnodese, no Sul; e Mudjekeewis, no Oeste. Essas pedras dos Espíritos Guardiões das Quatro Direções, dividem o Círculo em quadrantes que servem de fronteiras paras as 12 pedras das Luas do outro círculo. Essas pedras representam as Luas que dividem o ano. Delas, aprendemos mais sobre cada estação, cada hora do dia e hora da vida, e cada mineral, planta, animal, Clã Elemental e Espíritos Guardiões em direção ao Centro do Círculo. Eles representam qualidades que alcançamos no Espaço Sagrado do Criador.

Essa simples descrição física da Roda Medicinal proporciona a você o primeiro degrau para dançar com a Roda. Mas, para realmente entender a Roda, sua compreensão tem que superar o físico e o intelectual. Você nunca poderá dançar bem se você estiver sempre pensando sobre onde colocar seus pés. Para dançar, você precisa ouvir a música e permitir que a música seja parte de seu corpo e ser. Isso leva tempo e prática. Quando você estiver pronto para começar, siga a técnica simples, a primeira de muitas que ajudarão você a dançar a Roda.

Essas técnicas são chamadas visualizações. Elas proporcionam caminhos para ver naturalmente, sentir e imaginar a si próprio e sua vida como algo diferente do agora. Todas as visualizações, se tratadas com respeito, podem, através das cerimônias, dar um modo para conectar a nossa energia com a energia do Universo e para agradecer o Universo e todas as suas partes, pelo presente da vida.

Sun Bear

Rodas de Cura Wakan Wood - Artesanato Xamânico

Tabuleiro / Oráculo da Roda de Cura
As Rodas de Cura Wakan Wood são confecionadas em madeira entalhada, pintada e envernizada no formato de tabuleiro, com as 4 direções (norte, sul, leste e oeste), 4 elementos (ar, água, fogo e terra), 4 animais, dois caminhos sagrados (flexa caminho vermelho da vida e flecha caminho azul do espírito) e as posições das 36 pedras de cura. No verso do tabuleiro é entalhado o Labirinto Hopi para realizar a meditação do Labirinto. Acompanham 36 pedras coloridas e apostila (polígrafo) com explicação detalhada sobre as posições das pedras e demais tradições e rituais das Rodas de Cura.
Solicite orçamento pelo e-mail: wakan.wood@gmail.com
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O Amor à Natureza Guiando o Coração



“Os Lakhota de antigamente eram sábios. 

Sabiam que o coração do homem que se afasta da natureza se torna duro. 

Sabiam que a falta de respeito pelas coisas vivas e que crescem depressa, desemboca numa falta de respeito pelos seres humanos.

Por isso, mantiveram sempre suas crianças próximas da suavidade da sua influência.”

Chefe Urso Em Pé – Oglala Sioux

Oyate Wacinyapin – Russell Means


 
O Trovão Oglala Siox que estremeceu o governo americano

Seu nome em Lakhota significa Obras Para O Povo. Nasceu em Wanblee, South Dakota, na Reserva Indígena Pine Ridge, no dia 10 de novembro de 1939, sob a Lua do Tempo Frio, a segunda Lua de Mudjekeewis, Guardião do Oeste, a Direção de onde vem o Trovão, o Relâmpago e a Chuva. Tendo como seu totem animal a Poderosa Cobra e carregando dentro de si, o poder da transformação, para ele mesmo e para o seu povo.

Sua infância foi dura, ele viveu em várias reservas indígenas em todo os Estados Unidos. Seu pai, Means Hank, desgostoso e sem nenhuma esperança para o futuro, assim como quase todos os homens das Reservas Indígenas Americanas, se tornou alcoólatra e Russell Means,o filho mais velho, caiu em anos de evasão escolar e drogas antes de encontrar propósito no Movimento Indígena Americano (AIM) e se tornar o índio americano mais conhecido desde Sitting Bull e Crazy Horse. Doutorado em Estudos Indígenas pela Sinte Gleska University é o líder indígena mais revolucionário do final do século XX.

Means tem sido ativo em questões internacionais de povos indígenas junto às Nações Unidas, incluindo o trabalho com grupos na América Central e do Sul. Ele tem sido ativo também, na política em sua terra natal, Pine Indian Ridge Reservation, e em nível estadual e nacional.

Hoje, aos 72 anos e com câncer de esôfago, continua a ser uma das vozes mais magnéticas da América e luta pelo estabelecimento de uma Escola de Imersão Total, que é baseada em um conceito criado pelo povo Maori, da Nova Zelândia, onde as crianças indígenas da América do Norte estarão imersas na linguagem, cultura, ciência, música e narração de histórias de seu próprio povo, que irá devolver-lhes sua identidade e lhes dar um sentido para a vida.

Fonte: baseado no russelmeansfreedom.com
 

O Aro da Nação Vermelha foi quebrado e espalhado


“Sou agora um obscuro membro de uma Nação que outrora honrou e respeitou as minhas opiniões. O caminho para a glória é duro e muitas horas sombrias obscurecem-no. Que o Grande Espírito os ilumine e que vocês nunca experimentem a huminlhação a que o poder do governo americano me reduziu. Eis o desejo daquele que, nas florestas onde nasceu, foi outrora tão orgulhoso e audaz quanto vocês.”

Chief Black Hawk (Falcão Negro – Chefe Sauk e Fox)

“Eu estava então de pé sobre a montanha mais alta de todas, e, por debaixo de mim, em meu redor, estava todo o aro do mundo. E enquanto ali estava, vi mais do que posso expressar. Porque via de maneira sagrada, a forma de todas as coisas no espírito, e a forma de todas as formas tal como devem viver juntas como um só ser. E vi que o aro sagrado do meu povo era um de muitos aros que formavam um círculo, amplo como a luz do dia e o resplendor das estrelas, e que no centro crescia uma imensa árvore florida que abrigava todos os filhos de uma Mãe e um Pai. E vi que era sagrado.

Tudo o que o Poder do Universo faz, o faz em forma de círculo. O céu é circular e ouvi dizer que a Terra é redonda como uma bola e que também as estrelas são redondas. O vento, na sua força máxima, forma um redemoinho. Os pássaros fazem os seus ninhos em forma de círculo, pois têm a mesma religião que nós. O sol sai e se põe em círculo, como a lua, e ambos são redondos. Até as estações formam um círculo enorme na sua mutação e voltam sempre para onde estiveram. A vida de um homem é um círculo de infância a infância e o mesmo ocorre com todas as coisas onde o Poder reside.

As nossas tipis eram redondas como ninhos de pássaro e dispunham-se sempre em círculo, o Aro da Nação, ninho de múltiplos ninhos, no qual o Grande Espírito desejava que nós chocássemos os nossos filhos. Os wasichus (homens brancos) puseram-nos nestas casas quadradas. O nosso poder foi-se e estamos a morrer, porque o Poder já não está em nós. Vocês podem olhar para nossos rapazes e ver o que nos está a suceder.

Quando vivíamos sob o Poder do Círculo na forma de vida, os rapazes tornavam-se homens ao doze ou treze anos. Mas agora, precisam de muito mais anos para amadurecer. Bem, é como é. Somos prisioneiros de guerra enquanto aguardamos aqui. Mas existe um outro mundo. Não sabia então quantos morreram em Woundedknee (falando do massacre aos Cheyennes do Sul, liderados pelo Grande Chefe Chalera Petra).

Quando olho para trás, agora, a partir desta alta colina da minha velhice, ainda posso ver as mulheres esquartejadas e as crianças jazendo empilhadas e espalhadas ao longo da curva da enchurrada, tão claramente como as vi com olhos ainda jovens. E posso ver que uma outra coisa morreu lá na lama ensangüentada, e foi enterrada na neve. O sonho de um povo morreu lá. Era um belo sonho... Vêem-me agora, um velho lamentável que nada pode fazer, pois o Aro da Nação foi quebrado e espalhado. Já não há Centro e a Árvore Sagrada morreu.”

Chief Hehaka Sapa - Oglala Siox (1863-1950)

A verdade sobre o escalpo


    
“Os colonos holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume introduzido na América pelos espanhóis, de oferecerem prêmios pelos escalpos de seus inimigos do Novo Mundo, os índios.”

Os índios do México e América do Norte NUNCA praticaram o escalpo ou mataram velhos, mulheres e crianças, eles achavam que um homem nunca poderia descer tão baixo. Quem o fazia eram os brancos. 
 
“Em 18 de agosto de 1863, o General Carleton, decidiu estimular o zelo de suas tropas, estabelecendo um prêmio em dinheiro pelo gado navajo capturado. Ofereceu 20 dólares por cada cavalo ou mula sadios e aproveitáveis, e um dólar por cabeça pelos carneiros trazidos ao oficial de intendência, em Fort Canby.

Como o salário dos soldados era de menos de 20 dólares mensais, a oferta liberal estimulou-os bastante e alguns dos homens estenderam-na aos poucos navajos que podiam matar. Para provar suas habilidades militares, começaram a cortar o punhado de cabelo que os navajos prendiam com uma faixa vermelha na cabeça. Os navajos não podiam acreditar que Carson permitisse o escalpo, que consideravam um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis.”

“Num pronunciamento público feito em Denver, em 1859, pouco antes do massacre dos Cheyennes, o Coronel Chivington defendeu a morte e o escalpo de todos os índios, mesmo crianças:

- Dos ovos é que nascem os piolhos.”

“...Quando o Coronel Chivington foi até o alojamento dos oficiais em Fort Lyon, o Major Antothony recebeu-o calorosamente. Chivington começou a falar de colecionar escalpos e nadar em sangue.” (planejando o massacre aos Cheyennes)

“...A descrição de Robert Bent sobre as atrocidades dos soldados foi corroborada pelo Tenente James Connor:

- Ao passar pelo campo de batalha no dia seguinte, não vi um corpo de homem, mulher ou criança que não estivesse escalpado e, geralmente, os corpos estavam mutilados da maneira mais horrível, homens mulheres e crianças com os genitais cortados; ouvi um soldado dizer que havia cortado as partes genitais de uma mulher e as pendurara num pau para mostrar; ouvi outro soldado dizer que cortara os dedos de um índio para ficar com os anéis da mão; segundo meu melhor conhecimento e crença, essas atrocidades foram cometidas com o conhecimento do Coronel J.M. Chivington e não sei de qualquer medida que ele tenha tomado para impedi-los, ouvi o caso de uma criança de poucos meses que foi jogada no interior de um carroção e, depois de ser levada a alguma distância, deixada no chão para morrer; também ouvi vários casos de homens que cortaram genitais de mulheres e os penduraram no arção da sela ou os usaram nos chapéus, quando cavalgavam nas fileiras.”

(do relatório do Tenente James Connor, sobre o massacre aos Cheyennes)

“...Assim que sua ferida sarou, George voltou ao rancho do pai. Ali, ouviu do seu irmão Charlie mais detalhes das atrocidades dos soldados em Sand Creek – os horríveis escalpos e mutilações, a carnificina de crianças e bebês. Depois de alguns dias, os irmãos decidiram que, como mestiços, não queriam mais fazer parte da civilização do homem branco e deixaram silenciosamente seu rancho, partindo para o norte, a fim de se juntarem aos Cheyennes.”

“...O acampamento estava indefeso, sendo mais de velhos, mulheres e crianças, vários dos quais doentes de varíola (que contrariam usando os cobertores propositamente contaminados enviados a eles pelo governo americano). Dos 219 piegans no acampamento, só 46 escaparam para contar a história; 33 homens, 90 mulheres e 50 crianças, foram mortos a tiros quando corriam para fora de suas tendas.”

“De quem foi a voz que primeiro soou nesta terra? A voz do Povo Vermelho, que só tinha arcos e flechas... O que foi feito em minha terra, eu não quis, nem pedi, os brancos percorrendo minha terra... Quando o homem branco vem ao meu território, deixa uma trilha de sangue atrás dele...”

Chefe Mahpiua Luta, dos Sioux Oglalas (Nuvem Vermelha)


Trechos do livro – Enterrem Meu Coração Na Curva Do Rio – escrito por Dee Brown, uma das maiores autoridades na História do Oeste Americano, e que em 1970, trouxe a público o holocausto americano ao Povo Vermelho e toda a verdade sobre os índios.

Native American Music Children Of All Tribe's

"As palavras não pagam meu povo morto"



Chefe Joseph, foi um dia a Washington e falou com o Grande Chefe Branco, Presidente Hayes:

“Estou cansado de lutar. Todos dizem que são meus amigos e que eu terei justiça, mas enquanto todas essas bocas falam boas palavras, não compreendo porque nada se faz pelo meu povo.

Ouvi falar e falar, mas nada foi feito. As boas palavras não servem para nada se não conduzirem a qualquer coisa. As palavras não pagam meu povo morto. Não pagam as minhas terras, agora tomadas pelos brancos. Não pagam meus cavalos roubados e os búfalos exterminados.

As boas palavras não me devolvem os meus filhos. As boas palavras não farão boas as promessas do vosso chefe de guerra, o general Miles. As boas palavras darão saúde ao meu povo doente, nem evitarão que morram.

As boas palavras não darão ao meu povo um lar onde eles possam viver em paz e tomar conta dele próprio. Estou cansado de palavras que não conduzem a nada. O meu coração adoece quando recordo as boas palavras e todas as promessas quebradas.

Houve demasiada conversa por parte de homens que não tinham o direito de falar. Fizeram-se demasiadas conversas evasivas; surgiram demasiados mal entendidos acerca dos índios, entre os homens brancos.

Se o branco quer viver em paz com os índios, pode viver em paz. Não é preciso haver complicações. Tratem todos os homens da mesma forma. Da-lhes a todos a mesma lei. Da-lhes a todos igual possibilidade de viver e crescer... Podeis esperar que os rios corram para trás tanto como que qualquer homem nascido livre se sinta contente preso, e com a liberdade de ir onde quiser negada. Se atam um cavalo à uma estaca, esperam que ele engorde? Se encerram um índio num pequeno troço de terra e o obrigam a ficar ali, ele não ficará contente, nem crescerá ou prosperará. Todos os homens foram feitos pelo mesmo Grande Espírito. São todos irmãos. A terra é a Mãe de toda a gente e toda a gente deve ter os mesmos direitos sobre ela. Apenas peço ao governo para ser tratado como todos os outros homens.

Se eu não posso ir para o meu próprio lar, deixem-me ter um lar onde o meu povo não morra tão depressa. Apenas pedimos uma oportunidade de viver como os outros homens vivem. Pedimos para ser reconhecidos como homens. Deixem-me ser um homem livre, livre para andar, livre para trabalhar, livre para estar onde eu escolher, livre para escolher os meus próprios professores, livre para seguir a religião dos meus pais, livre para falar, pensar e agir por mim próprio, e eu obedecerei a todas as leis e submeter-me-ei a todas as penalidades.”

Great Chief Joseph – Nez Perces

Lua do Tempo Frio - de 24/10 a 21/11 - A Cobra - O Poder da Transmutação



Cobra... Venha deslizando
com fogo nos olhos,
morda-me, desafie-me,
permita que eu me realize.
Seu veneno transmutado
acende a chama eterna,
abra-me as portas do céu,
cure-me uma vez mais!

A Lua do Tempo Frio é a segunda Lua de Mudjekeewis, o Guardião do Oeste. Considerando que também é do Clã do Sapo, o Clã da Água, esta Lua dá para as pessoas nascidas sob ela, uma advertência sobre o que pode acontecer-lhes se elas permitirem que sua energia corra sem nenhuma direção. Fazendo isto, literalmente, elas serão congeladas, impossibilitando que mais energia venha para dentro delas. Esta Lua também lhes fala que às vezes é necessário congelar sua energia por um determinado tempo, até que elas se sitam abertas e seguras o bastante para lidar com isto.

Mudjekeewis, traz como presente, a introspecção e a força de um Espírito Guardião muito apropriado para trabalhar esta energia. Com estes presentes, ele tem a habilidade para ajudar as pessoas nascidas na Lua do Tempo Frio, a ampliar a força que já é deles por natureza, ensinando a direcioná-las. O totem animal para as pessoas nascidas nesta Lua é a Cobra. Cobras têm um excelente olfato e uma boa visão. A falha destes sentidos, só ocorre quando ela se encontra no período de troca de pele, quando os olhos parecem embaçados, com a pele por cima deles, e consequentemente atrapalhando também o olfato. Cobras são muito adaptáveis ao seu ambiente. Elas são perfeitamente sensíveis ao toque e as vibrações, em parte porque tem o sangue frio e são dependentes do calor do seu ambiente.

A Cobra é muito respeitada pelos Nativos Norte Americanos. A Cobra Emplumada era o símbolo dos Anciões dos Impérios Maia e Asteca, representando os poderes da transformação que eles obtiveram junto com seus sacerdotes. Para o povo Hopi, a Cobra é uma mensageira de outros reinos, que tem a capacidade para trazer as chuvas. Para os Ojibway ela representa a paciência, o Clã da Cobra é um dos Clãs mais Sagrados deles. A maioria das outras tribos também atribuem poderes especiais à Cobra, e muitos têm Clãs de Cobra que executam funções especiais.

Como seu totem, as pessoas da Lua do Tempo Frio tendem também a ser misteriosas e reservadas. Elas dedicam boa parte do seu tempo para ouvir as outras pessoas, mas, são extremamente relutantes em revelar os seus segredos mais íntimos. Por causa disto, às vezes são mal compreendidas. Como a Cobra, as pessoas deste totem têm também sentidos super-aguçados, a prova disso, é que elas geralmente descobrem a verdade sobre as pessoas em diversas situações. Elas têm olhos aguçados que lhes permitem ver a Alma profundamente, quer seja, a sua ou a dos outros. Estes sentidos só lhes faltam quando se encontram perturbadas, fato este que impede sua força de fluir suavemente por elas. Elas são pessoas adaptáveis, e com seu totem animal, têm a habilidade para trocar sua pele velha, idéias, ambientes ou sentimentos, esta transformação ocorre em uma fase nova do seu ser. Mudanças nunca são fáceis para elas, mas quando a fazem, é permanentemente até acharem que é tempo de seguir um novo caminho.

Na visão Nativa Americana, as pessoas nascidas sob o totem da Cobra são merecedoras de respeito por causa do poder de transformação que levam dentro de si. Essas pessoas podem também ser mensageiras e trazer mensagens que todos nós precisamos ouvirm se nós aprendermos a escutar nossa voz interior, nós poderemos ouvi-las. Estas pessoas podem ainda demonstrar uma paciência notável, se aprenderem a manter suas energias em equilíbrio. Porém precisam compreender a importância de serem fortes e manter sua raiz na Terra, porque elas precisam da ajuda da Mãe Terra para aprender canalizar corretamente toda a energia que carregam dentro de si. Todas as pessoas do totem da Cobra têm a habilidade para serem muito úteis para o mundo ao seu redor, mas algumas delas perdem esta oportunidade, porque se cobrem de cascas espinhosas, e só algumas pessoas mais sensíveis e íntimas têm o poder para ver as coisas boas que estão escondidas embaixo desta camada exterior.

As pessoas do totem da Cobra, podem limpar e curar seu próprio corpo ou dos outros através dos poderes latentes que possuem para discernir o que é realmente maléfico. Elas podem dirigir suas habilidades curativas para qualquer ponto da natureza. Quando essas pessoas estão doentes ou confusas, elas precisam usar primeiramente sua energia em benefício próprio para encontrar seu equilíbrio, antes que qualquer outro tipo de tratamento possa ser totalmente realizado. Elas são teimosas, críticas, ciumentas e determinadas, quando estão com raiva, são capazes de terem pensamentos de vingança terríveis, que terminam prejudicando o seu próprio ser. É importante para elas, quando se acharem nesta condição, lembrarem-se que elas têm o poder que precisam para canalizar sua energia para fazer algo útil e agradável.

As pessoas do totem da Cobra podem transmutar as coisas com as quais elas entram em contato. Elas têm habilidade para trazer mudança para quaisquer das coisas que estejam envolvidas. Podem adaptar-se as situações ao seu redor, moldando-as do jeito que elas desejam. Elas têm alto grau de energia que as companha por um grande período de tempo. Elas são capazes de administrar suas energias ao máximo para tudo e todos que estão ao seu redor. Têm grande apego ao mundo espiritual, como também o material. Por causa da sua natureza inquisitiva, investigativa, podem trzar o conhecimento destes mundos de uma maneira que pode ser compreendida facilmente pelas outras pessoas.

As pessoas do totem da Cobra, têm poderes espirituais particulares. Quando em equilíbrio, são muito sensíveis à voz do Espírito, capazes de receber muitos tipos de energia sutilmente. São talentosas nos reinos psíquicos, não importando para isso o seu grau de desenvolvimento espiritual. Este presente pode ser uma bênção ou pode ser muito prejdicial a elas. Porque este presente deverá ser usado para o bem da humanidade, e não para o seu próprio lucro pessoal o que lhe causaria grandes infortúnios posteriormente, tais como perturbações psíquicas e espirituais. A cor das pessoas deste totem, é o laranja claro que é visto ocasionalmente no céu durante o pôr-do-sol. Esta é uma cor que simboliza o que é vital, intelectual e capaz de aplicar qualquer conhecimento que tenham estudado. É uma cor que permite controlar e entender a mente, o corpo, as emoções e o Espírito. Também é uma cor que significa uma pessoa ambiciosa e que se orgulha do trabalho que realiza. Estas pessoas têm habilidade para observar a vida sutilmente e as lições que ela lhes dá, e aplicar estas lições nas suas próprias vidas e nas vidas dos outros.

Quando as pessoas nascidas sob outros totens encontram-se nesta posição (na Lua do Tempo Frio) na Roda da Medicina, elas podem aprender com seu próprio poder para transformar o seu íntimo e podem trazer lições de harmonia que aprenderam em outras posições na Roda da Medicina. Elas também podem aprender nesta posição o poder de adaptar-se, paciência, tenacidade, ambição e poder. Pessoas do totem da Cobra, passando por este ponto na Roda da Medicina, são frequentemente capazes de executar ações heróicas para ajudar seus irmãos, Filhos da Mãe Terra. As pessoas do totem da Cobra são compatíveis com seus irmãos do Clã do Sapo, o Puma e o Pica-Pau, e também com as pessoas do Clã da Tartaruga, o Ganso da Neve, o Castor e o Urso Pardo. Tendo uma afinidade ímpar com as pessoas do totem do Castor.

Seu mineral é o Cobre, ao qual é atribuído uma grande variedade de poderes especiais. Basicamente é usado para ajudar na purificação do Espírito e do sangue. Sua pedra é a Malaquita, que é um carbonato de Cobre. Esta pedra tem poderes espirituais inacreditáveis. O mais importante é que esta pedra eleva a sensibilidade da pessoas e seu Espírito. Ela é considerada uma pedra que aumenta a receptividade das pessoas do totem da Cobra, para todas as formas de energia sutil e que aumenta seus poderes psíquicos. Sua planta é o Cardo, que é rico em minerais e usada tradicionalmente pelos Xamãs, para resolver problemas digestivos, baixar a febre, expelir lombrigas e aumentar o leite das mães. Considerada uma erva para todos os propósitos, capaz de curar a maioria dos males conhecidos, fortalecendo todos os órgãos internos do corpo e ajudando a curar todos os tipos de dores.
Fonte: Lobos do Cerrado