O Bom e Sagrado Caminho Vermelho

Em nossa caminhada, levando a cura através da medicina da Arte Xamânica a muitos irmãos e irmãs, recebemos inúmeras bênçãos, sejam por palavras, gestos, sorrisos, alegrias, descobertas e a amizade que vamos fortalecendo com cada um que vem compartilhar conosco esta sagrada medicina.

Assim, através da beleza da entrega e do amor incondicional, o Grande Espírito coloca em nosso caminho as bênçãos de receber e compartilhar informações verdadeiras e embasadas no profundo conhecimento das culturas ancestrais espalhadas pelo mundo e pelo tempo, que compartilhamos com todos aqui neste espaço sagrado, por saber que o "Tempo das Nuvens Negras" chegou ao fim e a luz da informação e do conhecimento nativo verdadeiro deve ser transmitido com urgência a todos os buscadores da luz.

Como diz Hotashugmanitu Tanka: "estamos aqui para semear e compartilhar, fazendo brilhar a Roda do Arco Íris neste início do Tempo do Búfalo Branco, trazendo a consciência da totalidade, a paz e a serenidade para os irmãos de todas as cores".

Que assim seja!

Marcelo Caiuã e Bianca Martins


O Povo em Pé























“Quero que todos saibam que não estou disposto a vender parte alguma de minha terra, nem quero os brancos cortando nossas árvores ao longo dos rios, sobretudo o Carvalho. Tenho uma predileção especial pelos pequenos bosques de Carvalho, gosto de olhar para eles, porque suportam as tempestades de inverno e os calores do verão - e da mesma forma que nós – parecem florescer por causa disso.”

Grande Chefe Sioux Tatanka Lyotake (Sitting Bull)



Olá, Árvore Sagrada da Vida,
Raiz de cada árvore,
Obrigado por me concederes
Os dons que concedes.
Olá, Povo em Pé,
Que me ensinarás
A fincar raízes na Terra,
Enquanto alcanço o Avô Sol.
Olá, Salgueiro, árvore do amor,
Ensina-me a me curvar,
Até formar um círculo perfeito,
Cada parente um amigo.


Os seres do Povo em Pé, as árvores, também são nossos Irmãos e Irmãs. Eles são os Chefes do reino das plantas. O Povo em Pé fornece oxigênio ao resto dos filhos da Terra. Através de seus troncos e de seus galhos, as árvores dão abrigo aos seres que têm asas. Nos vãos de suas raízes as árvores fornecem asilo às pequenas criaturas de quatro patas que vivem embaixo da terra. O material para a construção das casas de seus companheiros humanos constituem outro presente que a Nação Árvore nos oferta.

Os Cherokees ensinam que o Povo em Pé e todos os outros povos do reino das plantas são os seres dadivosos que provêem, o tempo inteiro, às necessidades de outros seres. O Povo de Pedra guarda energia para a Mãe Terra e detém os registros específicos de tudo aquilo que aconteceu num determinado lugar. O Povo de Pedra e o Povo em Pé equilibram-se uns aos outros dando e recebendo, preenchendo as suas necessidades mútuas.

O Povo em Pé percebe as necessidades de todos os Filhos da Terra e se esforça por atendê-las. Cada árvore e planta possui seus próprios dons, talentos e habilidades a serem compartilhados. Por exemplo, algumas árvores nos dão frutos, enquanto outras fornecem curas para distúrbios em nossos níveis emocionais ou físicos. O Pinheiro Branco é a Árvore da Paz, e pode trazer serenidade à vida de uma pessoa que se senta à sua sombra. As florestas tropicais estão cheias de árvores que possuem propriedades curativas ou fornecem substâncias como a borracha que pode ser usada para auxiliar a humanidade na fabricação de vários artigos. O mundo está repleto dos presentes que nos foram concedidos pelo Povo em Pé. Móveis, goma de mascar, rayon, livros, papel, lápis, fósforos, especiarias e temperos, frutas, oleaginosas, cordas, pneus, remédios e casas com telhados de sapê são apenas alguns dos presentes que o Povo em Pé vem generosamente nos concedendo. Porém, cada uma das Pessoas em Pé tem uma lição especial a ser transmitida à humanidade, que vai muito além dos presentes materiais. A Bétula ensina a essência da verdade, nos incita a sermos honestos com nós mesmos ou nos mostra como podemos ser enganados por mentiras alheias. Os Pinheiros são pacificadores. O Pinheiro nos ensina as lições de como estarmos em harmonia com nós mesmos e com os outros, além de nos ensinar a obter uma mente silenciosa. A Sorveira-Brava, ou Cinza da Montanha, nos traz proteção, nos ensina a ver através das mentiras e também nos mostra como proteger o nosso Espaço Sagrado. O Plátamo ensina-nos a alcançar nossos objetivos e a fazer nossos sonhos se realizarem, A Nogueira nos ensina clareza ou concentração através da utilização de nossos dons mentais, e nos ensina a empregar a nossa inteligência de forma adequada. O Carvalho nos ensina a ter força de caráter e manter nossos corpos fortes e sadios. O Salgueiro é a madeira do amor, e nos ensina a dar, a receber, e a saber ceder, qualidades tão necessárias para que o amor frutifique. A Cerejeira nos ensina a abrir o nosso coração e a nos relacionarmos com os outros usando o sentido da compaixão.

A Mimosa é a árvore que representa o nosso lado feminino e revela um coração apaixonado. Aprendi muitas lições com a mimosa enquanto subia em seus galhos quando ainda era criança. Ela me ensinou a beleza que reside em se sentir feminina, enquanto suas doces flores perfumavam meus cabelos. Ela me contou o segredo dos vaga-lumes, e me revelou que eles escondiam estrelas ainda não nascidas em seus rabinhos. A mimosa contou-me que essas estrelas cresceriam dentro de qualquer pessoa de coração aberto. Elas aasumiriam seu lugar entre a Grande Nação das Estrelas depois que tivessem amado e sido amadas na Terra. A mimosa me disse que as dores e as traições que cada coração sofre correspondem a um punhado de água atirada sobre o fogo destas pequenas estrelas, para ver se elas continuariam a crescer, apesar da dor. As pessoas que continuavam a amar, apesar de tudo, se transformariam algum dia em estrelas, e enviariam todo o amor que haviam reunido para todos os outros seres do universo, como uma lembrança do coração aberto do Grande Mistério. A Mimosa me ensinou a abrir o meu coração e a amar, não importando o quanto fosse grande a minha dor, todas as vezes que eu visse minha estrela se iluminando, na forma de um vaga-lume que passasse voando perto de mim.

Os Nativos de todas as partes do mundo têm vivido em harmonia com o reino das plantas, em suas respectivas regiões, e têm utilizado o reino vegetal como ajuda à sua sobrevivência. O povo indígena da Mãe Terra só tem usado aquilo de que necessita, e não armazena, por medo de escassez, as oferendas que as árvores lhes proporcionam. Em nossa Tradição Americana Nativa, recolhemos todas as plantas de maneira cerimonial e sagrada. Em minha Tradição Nativa particular nós nos aproximamos da maior planta da espécie que vamos colher, lhe oferecemos tabaco e pedimos permissão para colheita. Essa é a Planta ou Árvore Chefe daquela espécie, por ser a maior e a mais velha. Assim que recebemos uma indicação ou uma mensagem de que está tudo certo, pulamos as primeiras sete plantas ou árvores que poderíamos colher para que as próximas sete gerações de seres humanos possam estar bem providas. Honrando nossos filhos, e os filhos de nossos filhos, garantimos um futuro feliz para todas as Criaturas assim como para o reino das plantas.

Se recebemos um não ao pedirmos permissão à Planta Chefe, vamos para outra região de coleta e começamos tudo outra vez. Se estivermos recolhendo pinhas, por exemploo, pegamos apenas um pouco de cada árvore, para que nossos Irmãos e Irmãs do reino das Criaturas também fiquem bem providos. E como sabemos quando já acabamos de colher o suficiente de determinada planta? Isto é fácil de saber quando nos colocamos em sintonia com os nossos Irmãos e Irmãs Verdes. A planta não solta mais seu fruto, erva ou pinha, quando já recolhemos o bastante. Ela enrijecerá os seus galhos e se recusará a liberar os seus frutos. É assim que os seres das plantas dizem: “Você já pegou o bastante, vá embora.”

Os Senecas dizem que toda árvore tem mais raízes do que galhos. Este ensinamento nos fala de como cada Pessoa em Pé está ligada profundamente à Mãe Terra. À semelhança do Povo em Pé, nós, os seres Duas Pernas, temos uma espinha que lembra um tronco, braços que parecem galhos, e cabelos que lembram folhas. Crescemos em direção à luz, da mesma forma que os galhos da árvore esticam-se em direção ao Avô Sol. Recebemos compreesão através de nossas antenas – os nossos cabelos – assim como as árvores recebem a luz através de suas folhas. Cada ser humano possui um corpo diferente do outro. O mesmo se dá com o Povo em Pé; não existem dois seres iguais. Caminhamos sobre duas pernas e vemos muitas coisas, ao passo que nossas irmãs árvores ficam fixas em um só lugar e recebem alimentação da Mãe Terra constantemente, para que possam repassar aos outros tudo aquilo que recolhem. Nós, os Duas Pernas, também estamos sempre dando e recebendo quando estamos Caminhando em Equilíbrio. Em minha Tradição ensinam-nos que a humanidade forma a ponte entre a Mãe Terra e a Nação do Céu, e que nós, assim como o Povo em Pé, pertencemos a estes dois mundos. Para conseguir este equilíbrio, devemos viver em harmonia com Todos os Nossos Parentes, estar bem enraizados neste mundo através de nossa Mãe Terra e permitir que os nossos espíritos voem livres pelos outros mundos, fundindo-se com estas outras realidades. Se não estivermos bem enraizados em nosso mundo físico, não conseguiremos entender totalmente o propósito de nossas visões, sonhos, potenciais, ou, ainda, descobrir as verdades que nos são reveladas durante o sono.

No momento em que conseguimos retribuir a gratidão pelos presentes que recebemos dos outros, passamos a reconhecer a raiz de cada bênção. A raiz de qualquer coisa constiui a sua fonte original. Toda vez que retribuímos nossa gratidão à fonte de nossas bênçãos, voltamos a equilibrar o nosso mundo e a reconhecer todas as dádivas que recebemos. Devemos recordar também que os Ancestrais que Cavalgaram o Vento antes de nós tornaram-se parte de nossas raízes e que estamos aqui para honrar o valor de seus presentes e de suas vidas, buscando viver de forma equilibrada. A raiz de todas as civilizações que estão por vir já vive neste momento dentro de cada um de nós. Nutrir o futuro equivale a honrar as sementes do presente, permitindo que elas cresçam e se desenvolvam. O Povo em Pé nos inspira como Guardiãs de nossa Mãe Terra a olhar a raiz de cada bênção para o Bem, de tal forma que a sua dádiva não tenha sido ofertada em vão.

O Povo em Pé nos fala de raízes e de doação. Devemos nos reabastecer sempre, através de nossa ligação com a Mãe Terra, para podermos doar livremente, sem nos exaurimos. A raiz do Ser está ali onde está a força. Esta raiz deve estar plantada firmemente no solo de nossa Mãe Planeta. Sem esta conexão os sonhos não poderão se manifestar, e os nossos atos de doação não poderão ser recompensados pela Mãe Terra. Caso você esteja “viajando” pelo espaço afora, para um pouco e reconete-se com a Mãe Terra. Silencie e torne-se Uno com as árvores para poder observar melhor tudo aquilo que está crescendo neste momento em sua floresta interna. As raízes de todas as respostas para a vida física podem ser descobertas aqui mesmo na Terra. Estude a sua árvore genealógica e busque a força oferecida pelos seus Ancestrais. Ao erguer bem alto os seus galhos, buscando a luz do Avô Sol, verá comos as suas raízes continuam a prendê-lo na Terra. Assim, será construído uma ponte equilibrada para o Mundo dos Céus.

O Povo em Pé nos pede que nos doemos mais. Pergunte a você mesmo se está realmente disposto a dar e receber. Observe a raiz de cada bênção com prufunda gratidão. Perceba qualquer bloqueio que esteja prejudicando o seu processo de enraizamento ou a sua capacidade de mergulhar mais fundo nas coisas. A seguir remova esta sensação limitadora e passe a mergulhar mais fundo até obter as respostas que procura. Lembre-se de que nós também somos raiz do futuro e de que é através de nossas vidas que as futuras gerações serão alimentadas. Afaste-se de tudo aquilo que possa inibir o seu crescimento. Desde modo você poderá erguer a cabeça, orgulhoso, toda vez que estiver no meio de seus parentes Árvores.