O Bom e Sagrado Caminho Vermelho

Em nossa caminhada, levando a cura através da medicina da Arte Xamânica a muitos irmãos e irmãs, recebemos inúmeras bênçãos, sejam por palavras, gestos, sorrisos, alegrias, descobertas e a amizade que vamos fortalecendo com cada um que vem compartilhar conosco esta sagrada medicina.

Assim, através da beleza da entrega e do amor incondicional, o Grande Espírito coloca em nosso caminho as bênçãos de receber e compartilhar informações verdadeiras e embasadas no profundo conhecimento das culturas ancestrais espalhadas pelo mundo e pelo tempo, que compartilhamos com todos aqui neste espaço sagrado, por saber que o "Tempo das Nuvens Negras" chegou ao fim e a luz da informação e do conhecimento nativo verdadeiro deve ser transmitido com urgência a todos os buscadores da luz.

Como diz Hotashugmanitu Tanka: "estamos aqui para semear e compartilhar, fazendo brilhar a Roda do Arco Íris neste início do Tempo do Búfalo Branco, trazendo a consciência da totalidade, a paz e a serenidade para os irmãos de todas as cores".

Que assim seja!

Marcelo Caiuã e Bianca Martins


Pocahontas

Tambor modelo Cherokee Wakan Wood Artesanato Xamânico, confeccionado por Marcelo Caiuã e pintado por Bianca Teixeira Martins

                                                   
“Nós, da Nação Powhatan, discordamos das afirmações de Disney. O filme apresenta uma visão distorcida que vai muito além da história original. Nossas ofertas para ajudar a Disney em aspectos culturais e históricos foram rejeitadas. Tentamos fazer com que a Disney corrigisse os erros ideológicos e histórias do filme, mas fomos ignorados.

É triste que essa história, da qual ingleses e americanos deveriam se envergonhar, tenha se tornado um meio de entretenimento, perpetuando um mito irresponsável e falso sobre a Nação Powhatan.”

Chefe Roy Cavalo Louco

Pocahontas era uma menina da Nação Powhatan, filha do Chefe Wahunsunacock, que governava uma área que abrangia quase todas as tribos vizinhas no litoral do estado da Virgínia, região chamada pelos índios de Tenakomakah. Seu nome verdadeiro era Matoaka, sendo que Pocahontas era só um apelido de infância.

Quanto a John Smith, se tratava de um homem de meia idade, de cabelos castanhos, de barba e cabelos longos. Ele era um dos líderes dos colonos que lutavam para tomar as terras dos Powhatan, e que em 1607, foi capturado por caçadores Powhatan. Ele possívelmente seria morto, mas Pocahontas, que contava então com 11 anos de idade, interveio, conseguindo convencer o pai que a morte de John Smith só aumentaria o ódio dos colonos. Ao contrário do que dizem os romances sobre sua vida, Pocahontas e Smith nunca se apaixonaram. Smith serviu como um tutor da língua e dos costumes ingleses para Pocahontas.

Em 1609, um acidente com pólvora obrigou John Smith a ir se tratar na Inglaterra, mas o colonos disseram à Pocahontas que Smith morrera. A verdadeira história de Pocahontas tem um triste final. Em 1612, aos 17 anos, ela foi aprisonada pelos ingleses enquanto estava numa visita social e mantida na prisão de Jamestown por mais de um ano. Durante o período de captura, o inglês John Rolfe demonstrou um especial interesse pela jovem prisoneira. Como condição para Pacahontas ser libertada, ela teve de se casar com Rolfe, que era um dos mais importantes comerciantes ingleses no setor de tabaco.

Rolfe, cuja esposa e filha haviam falecido, tinha cultivado com sucesso uma nova espécie de tabaco na Vírginia e gasto muito tempo lá para a colheita. Ele era um homem muito religioso que se angustiava com as potenciais repercurssões de casar com uma “selvagem”. Em uma longa carta dirigida ao governador, pediu permissão para casar-se com Pocahontas, relatando seu amor por ela e sua crença em que ela poderia ter sua alma salva. Ele alegou “que não estava somente movido pelo desejo carnal, mas pelo bem desta plantação, pela honra de nosso país, pela Glória de Deus, pela minha própria salvação... ela se chama Pocahontas, a quem dirijo meus melhores pensamentos, e eu tenho estado por tanto tempo tão confuso e encantado por esse intrincado labirinto...” Então, Alexander Whitaker, ministro inglês, ensinou a religião cristã e aprimorou o inglês de Pocahontas e, quando este providenciou seu batismo cristão, Pocahontas escolheu o nome de Rebecca. Logo após, em 05 de abril de 1614, ela se casou com Rolfe e passaram a viver em sua plantação de tabaco, Varina Farms, que estava localizada ao lado do James River. Tiveram um único filho, Thomas Rolfe, nascido em 30 de janeiro de 1615. Esta união estabeleceu a paz entre os colonos de Jamestown e a tribo de Pocahontas.

Mas mesmo assim, os responsáveis pela Colônia de Virgínia encontravam dificuldade em atrair novos colonos para Jamestown. Com o objetivo de encontrar investidores para assumir os riscos, usaram Pocahontas como uma estratégia de marketing, tentando convencer os ingleses de que os nativos americanos poderiam ser domesticados, buscavam desse modo, salvar a colônia.

Assim, em 1616, Pocahontas e Rolfe viajaram para a Inglaterra, levando junto com eles, 11 membros da Nação Powhatan, incluindo o Xamã Tomocomo. Quando chegaram lá, eles ficaram no subúrbio e o Rei James não queria recebê-la formalmente. Por isso, Smith, que estava em Londres, ao saber disso, escreveu uma carta ao Rei contando como Pocahontas os havia salvo em Jamestown da fome, do frio e da morte, convencendo-o a recebê-la.

Em 1617, Pocahontas e John Smith se reecontraram. Smith se reencontraram. Smith escreveu em seus livros que, durante o reencontro, Pocahontas não disse uma palavra a ele, mas, quando tiveram a oportunidade de conversar sozinhos, ela declarou estar decepcionada com ele, por não ter ajudado a manter a paz entre sua tribo e os colonos.

Meses depois, Rolfe decidiu retornar à Virgínia, mas uma doença de Pocahontas (provavelmente pneumonia ou tuberculose), obrigou o navio em que estavam a voltar para a Inglaterra. Ao desembarcar ela morreu. Seu funeral ocorreu no dia 23 de março de 1607, na paróquia de São Jorge, em Gravesend. Em sua memória, foi erguida, em Gravesend, uma estátua de bronze em tamanho real.

O Chefe Powhatan morreu na primavera seguinte. Seu Povo foi dizimado e suas terras tomadas pelos colonos.

Fonte: Wikipédia

O Centro da Roda


                                                
“No princípio todas as coisas estavam na mente de Wakonda. Todas as criaturas, incluindo o homem, eram espíritos. Moviam-se no espaço entre a Terra e as Estrelas. Andavam em busca de um lugar onde pudessem tomar uma existência corporal. Ascenderam até ao Sol, mas o Sol não era adequado para viver nele. Mudaram-se para a Lua e viram que também não era boa para fazer dela a sua morada.

Então, desceram à Terra. Viram que estava coberta de água. Flutuaram pelo ar dirigindo-se para o Norte, para o Leste, para o Sul e para o Oeste e não encontraram terra seca. Sentiram-se muito penalizados.

Mas logo, da água surgiu um grande rochedo. Estalou em chamas e as águas ascenderam pelo ar, sob a forma de nuvens. Apareceu a terra seca, cresceram as ervas e as árvores. A multidão de espíritos desceu e converteu-se em seres de carne e osso. Alimentaram-se das sementes, das plantas e dos frutos das árvores. E a Terra vibrava com as suas expressões de alegria e gratidão para com Wakonda, o Criador de todas as coisas.”

(Chefe Wakidezhingan)


O Centro da Roda Medicinal, o Criador, fica sozinho. O objeto representando a força do Criador pode ser uma pedra de qualquer tipo, um crânio de Búfalo, uma drusa de cristal, ou qualquer objeto de grande significado para a pessoa que constroe a Roda. O Criador é tudo isto ou nada disto. O Criador é o começo e o fim da vida, o Grande Mistério, dentro de todas as coisas e em torno delas, a energia Universal, que muitas pessoas encaram como Deus. Em muitas línguas nativas, a palavra para o Criador, não é um substantivo, mas sim um verbo, indicando o movimento, a atividade, a pulsação, desta força sagrada e infinita.

Porque o Criador está em todas as coisas, não há totens associados nesta posição. Todos os minerais, as plantas, os animais, as cores, os humanos, os espíritos, são parte do Criador. A pedra do Criador é o lugar da Roda Medicinal que ensina você sobre as suas próprias habilidades de criar, sobre a sua fé, sobre sua própria sacralidade e sobre sua habilidade para se desenvolver até a plenitude.

Quando você estiver com medo, quando não tiver energia suficiente, quando estiver com medo de criar coisas com sua mente ou quando quiser criar coisas com a sua mente, quando sentir que não tem um profundo conhecimento do Universo, você deve ir ao Centro da Roda Medicinal e pedir pela ajuda que necessita. Quando não estiver seguro quanto aos seus valores espirituais ou quando sentir a necessidade de mudar ou quando desejar uma iniciação numa forma diferente de encarar a vida, em todas estas ocasiões, deve-se dirigir para o Centro da Roda Medicinal.

Sun Bear

Lua da Neve de 22 de novembro a 21 de dezembro - A Energia do Alce


                  
Alce...
Seus chifres almejam tocar o Sol.
Mostre-me que força e energia são,
Na verdade, uma coisa só

(Jamie Sams)

A Lua da Neve é a terceira Lua de Midjekeewis. Ela traz os presentes de Mudjekeewis, que são a introspecção e a força. As pessoas nascidas nesta Lua são por natureza, pensativas, e têm o poder da introspecção que Mudjekeewis deu-lhes de presente para ajudá-los a ter mais habilidade para olhar para dentro de si e dos outros.

Aqueles nascidos debaixo da Lua da Neve, o início do tempo em que todos os filhos da Mãe Terra se preparam para a estação da renovação, recebem mais habilidade para procurar e usar os pensamentos que fluem por eles e auxílio para manterem um laço mais forte com seus irmãos do Clã do Pássaro Trovão, neste período do ano.

O totem animal para os nascidos na Lua da Neve é o Alce, o Rei da família dos Cervos.

Seus chifres se assemelham aos galhos de uma árvore e são renovados todo ano. No verão o Alce segue em direção aos bosques, saindo só no outono e inverno. Ele só anda em rebanhos compostos de seus similares, procurando a fêmea somente no período do cio. Os Alces têm um senso de responsabilidade de um para com o outro, muito aguçado. Às vezes, parecem dançar juntos num grande círculo e às vezes todos saem galopando com imensa alegria.

Como seu totem animal, o Alce, as pessoas nascidas sob a Lua da Neve, parecem pertencer à família real. Elas têm um porte orgulhoso, com ar de majestade, quando tudo está ocorrendo maravilhosamente bem para elas. Quando elas se encontram introspectivas, são capazes de absorver muito do que elas leram, ouviram ou experenciaram na vida, sendo achadas frequentemente na posição de professores.

Elas são sedentas de justiça, tanto no conceito, como na prática, ficando impacientes quando vêem qualquer forma de injustiça. Quando encontram qualquer tipo de injustiça, elas fazem um barulhão, até que a justiça seja feita. Se aqueles a quem elas recorrem para corrigir a injustiça não se envolvem na sua causa, elas gritam ainda mais alto, envolvendo-se ao máximo, até que algo ocorra e mude a situação.

Assim como o Alce, essas pessoas nascidas na Lua da Neve, gostam de ir para os lugares altos. Quando meditam, suas mentes podem abrir portas que lhes permitem voar entre os mundos. A sua intuição lhes fala quando elas estão prontas para realizar tais vôos e quando são necessárias, elas voltam. Elas receberam um presente espiritual, que é a habilidade de ensinar os outros, mas elas têm que dominar o assunto estudando ou não conseguirão usar este presente da melhor maneira.

Elas têm uma natureza independente, embora se disponham a ser líderes dos outros em certos momentos. Também tentam se manter fechadas sobre as coisas que estão ocorrendo profundamente no seu âmago, e temem o que pode ocorrer caso se abram para os outros nas suas relações. Neste momento, elas se retirarão da relação mentalmente, se não materialmente. Enquanto elas tendem a ser fechadas sobre seus sentimentos mais profundos, elas aparentam superficialmente estar com o coração aberto. Esta dualidade às vezes pode causar dores reais à elas e aqueles que as amam.

Uma vez que uma pessoa do totem do Alce decidiu-se a realizar algo, será muito difícil fazê-la mudar de idéia. Elas são pessoas determinadas e destemidas, chegando às vezes a serem donas da razão.

O Abeto Negro é a planta totem para as pessoas nascidas na Lua da Neve, é um irmão majestoso da família dos Pinhos, que cresce em muitas regiões dos Estados Unidos. O Abeto Negro pode crescer a mais de 30m de altura. As folhas desta árvore, quando jovens, são aromáticas, podendo ser modiscadas ou usadas para fazer chá contra resfriados. De qualquer modo elas têm um alto nível de vitamina C. O Abeto Negro, foi usado de forma medicinal pelos Nativos Americanos por centenas de anos, como um anti-séptico e para soltar o muco catarral da garganta e do pulmão. Também o aplicavam para limpar cortes e feridas. Seus galhos, assim como os do Salgueiro, também eram usados na estrutura da Sauna Sagrada. Com o Abeto Negro as pessoas nascidas na Lua da Neve, podem aprender como ter um porte majestoso e conseguir equilíbrio e harmonia. Tal como sua árvore, elas podem aprender a ser ao mesmo tempo, suave e forte. Sua força interior sempre lhes permite seguir na direção certa e conduzir os outros por este mesmo caminho. Como têm uma sensação inata de justiça, sempre tentarão lutar contra a injustiça. Com o seu poder intuitivo, elas podem ver os corações dos outros e os ajudarem a se desvencilhar de qualquer laço duro e traumático.

A Obsidiana Negra é o totem mineral dos nascidos durante a Lua da Neve. Ela normalmente é brilhante e translúcida. É dura e afiada como uma lâmina ao longo de suas extremidades e deve ser sempre manejada cuidadosamente. Por isto ela também é conhecida como vidro vulcânico.

A Obsidiana Negra foi durante muito tempo usada pelos Nativos Americanos. Os Maias fabricavam com ela espelhos e jóias extremamente belas, também a esculpiam em estátuas e outras peças decorativas.

Por causa de sua origem profunda, a Obsidiana Negra tem o poder de trazer para as pessoas a energia da Terra, retirada de dentro do coração da Mãe Terra, e ensina os nascidos na Lua da Neve como respeitar e usar esta energia de maneira equilibrada. A Obsidiana Negra tem ainda o poder de refletir os pensamentos de outra pessoa para aquele que a estiver manuseando, como um tipo de clarividência canalizada pela pedra. Por causa disso, a Obsidiana Negra foi frequentemente usada como bola de cristal, permitindo às pessoas verem o futuro. Ela também tem o poder de proteger quem a usa contra as possessões de espíritos malignos.

Ao usar a Obsidiana Negra, as pessoas nascidas na Lua da Neve, nos seus processos de desenvolvimento, podem refletir para os outros o que está se passando com elas internamente. Quando se encontram num estágio de desenvolvimento elevado, assim como sua pedra, têm a habilidade para ser clarividentes e também de proteger aqueles que estão ao lado delas de qualquer perigo, sem que eles percebam, tanto no nível material como no espiritual.

A cor associada aos nascidos na Lua da Neve, é o Preto, que à noite cai como um manto sobre a Mãe Terra. Este manto Preto é o tempo no qual as coisas estão no seu estado natural, quando todos se rendem ao período de introspecção da noite. Esta cor lhes dá o poder de permitirem-se compreender e escutar sua intuição, sua sabedoria interna, que guia suas vidas pela Boa Estrada Vermelha. É o tempo que elas têm para olhar para dentro de si e conseguir as respostas para as suas perguntas. Para os Nativos Americanos, o Preto é uma das cores sagradas, ele significa a força e a introspecção de Mudjekeewis, o Guardião do Oeste. Para eles, o Preto é uma cor de aprendizagem e não de negatividade.

Quando as pessoas nascidas em outras Luas viajam pela Lua da Neve na Roda Medicinal, elas podem aprender mais sobre sua própria introspecção e seus poderes de clarividência, bem como sobre sua real natureza e habilidade para compartilhar as lições que a sua jornada ao redor da Roda Sagrada lhes ensinou.

As pessoas nascidas na Lua da Neve são compatíveis com os outros membros do Clã do Pássaro Trovão – o Falcão Vermelho e o Esturjão, como também com os do Clã da Borboleta – a Lontra, o Cervo e o Corvo. Elas combinam muito bem com as pessoas do totem do Cervo, afinal são da mesma família.

Fonte: Lobos do Cerrado

Sun Bear - Ojibwa Medicine Man (1929 – 1992)



                
“Sun Bear nasceu em 1929 na Reserva de Terra Branca, em Minnesota. Ele foi fundador e Chefe da Medicina da Tribo Urso. Quando era um jovem rapaz, começou a ter visões que pressagiavam o seu desenvolvimento como um homem de medicina e professor. Ele estudou com seus tios, que eram homens de medicina, e continuou durante toda a sua vida a aprender com seus sonhos e visões, bem como com os professores nativos.

Sun Bear tinha um grande coração. Ele era um homem verdadeiramente bom, cuja sinceridade foi tranqüila e despretensiosa. Ele também tinha um grande senso de humor. Eu estava sempre cheio de admiração pela maneira como ele juntava tantas pessoas diferentes e do jeito como ele facilitava oportunidades para as pessoas. Quando ele me convidou para ensinar nos Estados Unidos, foi uma direção inusitada para eu tomar, mas eu sempre mantive o povo indígena em alta conta e agradeci a oportunidade.

Foi através dos ensinamentos de Sun Bear nos Encontros de Roda da Medicina, que eu vim a ser conhecido nos Estados Unidos; e assim tudo de bom que ocorreu na minha vinda para os Estados Unidos, eu devo a ele. Fiquei muito triste com sua morte prematura e espero que a Tribo Urso sempre exista para continuar o trabalho deste Grande Homem no mundo.

Sun Bear sempre tinha tempo para as pessoas e seus problemas, mas ele acreditava em ajudar as pessoas a se ajudarem. Eu o ouvi dizer em várias palestras públicas, que se as pessoas queriam que ele sentisse pena delas, pena elas poderiam encontrar entre shit and syphilis no dicionário, mas que não era isso que ele fornecia. Ele dava apoio para as pessoas que estivessem realmente dispostas a trabalhar a si mesmas. Ele dizia:

- Se as pessoas estão dispostas a se envolver com os ensinamentos, então tudo é possível.

Eu tive várias conversas com Sun Bear sobre este tema e descobrimos que tínhamos muito em comum em termos de trabalhar com pessoas.”

Lama Lineage Ngak’Chang Rinpoche

   

“Quando você estiver completamente misturado com todas as coisas, então você realmente fará parte do Todo.”




Pedras que demarcam o Espaço Sagrado,
O elo da vida que se completou.
Que venham a Águia, o Coiote, o Urso cantar
Com o Grande Búfalo Branco.
Aqui, saudamos os ventos da mudança,
Louvamos o Avô Sol,
Aqui, exaltamos a integridade de tudo
Que unido se torna um só

Canção da Meia Noite (Jamie Sams)

Eu vi de cima de um morro, árvores, e passava uma brisa suave. Os capins da pradaria movimentavam-se gentilmente. Então, eu vi um círculo de pedras, aproximdando-se para o Centro da Roda, o Arco Sagrado do meu Povo. Dentro do Centro do Círculo, tinha um crâneo de Búfalo, e chegando ao desfiladeiro, de 4 Direções, achamos animais. Assim, o Círculo se fechava, e vi que nosso povo não usava roupas e adquiria os costumes animais. Ele se movia para o Círculo e cada grupo na direção do Sol, fazia um círculo completo, antes porém, eles estabeleciam seu lugar na Roda.

Primeiro, as pessoas chegavam do Norte, o lugar do inverno, o tempo de descansarmos e à Mãe Terra. O lugar que representa o tempo quando nós teremos cabelos brancos de neve em cima de nossas cabeças, quando nos prepararemos para mudar mundos e formas. Então, aqueles que terminaram subiram para o Leste, o lugar da consciência, do nascimento e da primavera, o lugar que representa humanos nascendo e começando. O próximo lugar representava o Sul, o tempo do verão, os anos de frutificar e rápido crescimento. Então, tinha o povo que chegava para o Oeste, o tempo de abandonar-se. Quando nós colhemos nossos resultados, quando nós obtemos o conhecimento necessário para centrar-mos a nós mesmos. O Oeste é o lar do Vento Oeste, o Pai de todos os Ventos.

Todos os povos estavam cantando a canção das estações, de seus minerais, de suas plantas e de seus totens animais. E eles cantavam canções de cura da Mãe Terra. Um líder deles dizia: “Façam a Medicina do Círculo Sagrado prevalecer. Façam muitas pessoas em torno da Terra chegarem ao Círculo. E façam preces à Mãe Terra.” Nesta visão, nós reuníamos os povos de todos os Clãs, de todas as Direções, de todos os totens, e em seus corações eles carregavam a paz. Essa é a visão que eu vi.

Quando você estiver completamente misturado com todas as coisas, então você realmente fará parte de um Todo. O conhecimento da Roda Medicinal é necessário em seu tempo. Nós sentimos que a humanidade é para crescer, nós deveríamos todos ter um entendimento sobre o meio ambiente. Vocês se afastaram das coisas naturais, o que lhes causou muitas doenças. Hoje muitas pessoas estão tentando restabelecer seu equilíbrio com a natureza. Pessoas estão se voltando para alimentos naturais e cura natural, e existe um grande movimento de volta à Mãe Terra.

Mesmo em sua sociedade industrializada, vocês estão sentindo a necessidade de restabelecer o equilíbrio com a natureza. Existe um mundo mágico onde todas as coisas estão conectadas com você, e você está conectado com todas as coisas. Este mundo mágico consiste de uma real e linda Terra, sempre a nossa volta e todas as suas relações nela. Vocês têm esquecido que nós estamos conectados às nossas relações na Terra, não apenas com a nossa família humana. Vocês têm esquecido de sua responsabilidade para com todas essas relações, assim como temos responsabilidades com nossas famílias humanas.

Vocês têm se aprisionado a si mesmos nos pequenos mundos que criaram. Vocês têm esquecido de ouvir as estórias e canções que os Ventos podem trazer para nós. Vocês perderam a habilidade para escutar as plantas, elas nos contam como podemos nos alimentar para viver com saúde. Vocês perderam a habilidade de ouvir os animais, eles nos dão sua dádiva de aprendizado, riso e amor. Vocês têm cortado a si mesmos de todas essas relações, e ficam maravilhados quando podem reatá-las. A Roda Medicinal é um Círculo Mágico, que engloba todo o mundo. Assim, você andando nele, o achará maravilhoso de dentro e de fora. Com tenacidade, você descobrirá a maravilha de saber sobre você mesmo.

Quem é você? O que você quer? E o que você pode fazer nesta hora da vida? Meu povo sabe sobre o Círculo Mágico. Nós o respeitamos e o usamos todos os dias da nossa vida. Quando nós construímos nossos lares, é em forma de círculo. Quando nós vamos purificar nossos corpos ou nossas mentes, é dentro do círculo, que representa o útero materno e o útero da Mãe Terra, que nos sustenta enquanto vivemos. Quando chamamos para um Conselho, nós fazemos um círculo, então tudo é incluído, em igualdade, com voz igual. Quando fazemos música, nós fazemos em volta do tambor.

Nós dançamos em círculo. O rítmo do tambor representa o rítimo de nossos corações e o rítmo da Mãe Terra. Quando dançamos, levantamos nossos braços através dos paraísos, do lugar acima da Terra, para o Céu e para a Terra, com nossos corpos como transmissores. Nós vemos a vida, como um círculo de vida para o norte, para o renascer. Nós sabemos como aprender e celebrar os ciclos de nossas próprias vidas. Tanto que somos hábeis para fluir com a mudança de energia que chega com as diferentes idades.

Nós sabemos, que nós, como as estações, passamos por várias fases, assim como o Círculo da Vida e o tempo, passam à nossa volta. Nós sabemos que o tempo é a queda de rítmo, quando a vida cessa de crescer. O Círculo é tão importante para nós, tão essencial para vivermos, que desenha nossos caminhos. Para relembrar o Círculo, lembre-se que você sempre está viajando ao redor dele. Entrar no Círculo, é um ponto, e quando nós entramos no Círculo, ele nos dá poderes, dádivas e responsabilidades. Nosso ponto inicial é determinado pela Lua (mês) sobre a qual nós nascemos. Diferentes pontos iniciais são governados por diferentes Clãs ou Elemento ao qual cada um de nós está ligado.

Os Clãs Elementais determinam nossos relacionamentos para com os outros elementos e para com os outros pontos da Roda Medicinal, e não são estáticos. Os pontos iniciais também são governados por um Espírito Guardião de uma Direção. Em nossa visão, as pessoas não estão limitadas na sua posição inicial, Direção ou Clã. Elas devem viajar tão longe quanto puderem em volta da Roda, experimentando as lições, mudanças, forças e fraquezas de tantas posições quanto possíveis. Cada posição tem algo para nos dar, algo que engrandece e enriquece nossas vidas. A essência da Roda Medicinal é o movimento e a mudança. Através desse conhecimento, nós nos esforçamos para permitir a nós mesmos a mudança necessária. Nós sabemos que nós contemos todas as manifestações dentro de nós mesmos. Se nós abrirmos nossos corações, a luz do amor e a Unidade, que criou o Universo, poderá brilhar e iluminar o mundo.

Sun Bear

“A essência da Roda Medicinal é o movimento e a mudança.”

A Dança da Roda Medicinal


Roda de Cura criada por Wakan Wood - Artesanato Xamânico
Para dançar com a Roda, é preciso aprender os passos da dança. Como a maior parte das cerimônias são baseadas na Mãe Terra, a Roda Medicinal, apresenta-se bem simples. Trata-se de uma estrutura de 36 pedras. Ainda existem inéditos níveis de significado para este simples círculo e as linhas internas do círculo. Para entender a dança da Roda Medicinal, você deve primeiro saber que a Roda Medicinal é uma visão simultânea de 20.000 Rodas Medicinais. Essas Rodas Medicinais serviam para muitos propósitos para o povo nativo da América do Norte.

Elas eram o cerimonial central da cultura, laboratórios astronômicos e lugares que as pessoas poderiam chegar para marcar o tempo e mudar as suas próprias vidas, assim como a vida da Terra. Elas eram lugares para rezar, meditar, contemplar o grau de entendimento de nós próprios e nosso relacionamento com toda a Criação. Rodas Medicinais eram usualmente colocadas em áreas onde a energia da Terra poderia ser fortemente sentida e seu uso na cerimônia faz esta energia ficar ainda mais forte. Consequentemente, áreas da Roda Medicinal fazem com que o corpo chame novos vórtices: lugares de intensas energias da Terra e de cura. As novas áreas onde tem Rodas Medicinais têm sido construídas e servem para a mesma função.

Formas de Rodas Medicinais existem por todo o Globo desde o Grande Círculo de Pedras da Europa até as Mandalas na Índia. Todas elas são remanescentes do passado, quando o mundo era guiado pela lei de relacionamentos corretos, respeito humano a todos os seres, A Todas As Nossas Relações – minerais, plantas, animais e espíritos em cima da Mãe Terra. Estudar a Roda Medicinal ajuda você a lembrar sua conexão com todos os aspectos do Universo. Cada pedra na Roda Medicinal é uma ferramenta para ajudar você a entender traços de seu passado que moldam o presente e o futuro planetário. Cada posição na Roda Medicinal afetará diretamente a você e algum ponto de sua vida.

A Pedra do Criador, é o Centro da Roda Medicinal, assim como o Criador é o Centro de toda vida, sempre criando, começando, encerrando, sempre movendo a Roda, sempre continuando. Deste Centro irradia a energia que cria todo o resto da Roda. As sete pedras que circundam o Criador formam o Centro do Círculo da Roda e representa a Fundação de toda a vida.

Ligeiramente para o Suldeste está a pedra que representa a Mãe Terra, a entidade que nos dá o nosso lar e as nossas vidas. Continuando no sentido do Sol (sentido horário) como sempre fazemos quando usamos a Roda Medicinal, está a pedra do Pai Sol que esquenta e nutre a vida. A Próxima é a Pedra da Avó Lua, que gira nossos sonhos e visões, acompanhada pela pedra do Clã da Tartaruga, representando o Elemento Terra, o Clã do Sapo, representando o Elemento Água, o Clã do Pássaro Trovão, representando o Elemento Fogo e o Clã da Borboleta representando o Elemento Ar. Estas sete pedras ensinam sobre a construção básica dos blocos de vida.

As pedras ancoradas para o Centro do Círculo da Roda Medicinal, estão nas quatro pedras honrando os Espíritos Guardiões das Quatro Direções: Wabose, no Norte; Wabun, no Leste; Shawnodese, no Sul; e Mudjekeewis, no Oeste. Essas pedras dos Espíritos Guardiões das Quatro Direções, dividem o Círculo em quadrantes que servem de fronteiras paras as 12 pedras das Luas do outro círculo. Essas pedras representam as Luas que dividem o ano. Delas, aprendemos mais sobre cada estação, cada hora do dia e hora da vida, e cada mineral, planta, animal, Clã Elemental e Espíritos Guardiões em direção ao Centro do Círculo. Eles representam qualidades que alcançamos no Espaço Sagrado do Criador.

Essa simples descrição física da Roda Medicinal proporciona a você o primeiro degrau para dançar com a Roda. Mas, para realmente entender a Roda, sua compreensão tem que superar o físico e o intelectual. Você nunca poderá dançar bem se você estiver sempre pensando sobre onde colocar seus pés. Para dançar, você precisa ouvir a música e permitir que a música seja parte de seu corpo e ser. Isso leva tempo e prática. Quando você estiver pronto para começar, siga a técnica simples, a primeira de muitas que ajudarão você a dançar a Roda.

Essas técnicas são chamadas visualizações. Elas proporcionam caminhos para ver naturalmente, sentir e imaginar a si próprio e sua vida como algo diferente do agora. Todas as visualizações, se tratadas com respeito, podem, através das cerimônias, dar um modo para conectar a nossa energia com a energia do Universo e para agradecer o Universo e todas as suas partes, pelo presente da vida.

Sun Bear

Rodas de Cura Wakan Wood - Artesanato Xamânico

Tabuleiro / Oráculo da Roda de Cura
As Rodas de Cura Wakan Wood são confecionadas em madeira entalhada, pintada e envernizada no formato de tabuleiro, com as 4 direções (norte, sul, leste e oeste), 4 elementos (ar, água, fogo e terra), 4 animais, dois caminhos sagrados (flexa caminho vermelho da vida e flecha caminho azul do espírito) e as posições das 36 pedras de cura. No verso do tabuleiro é entalhado o Labirinto Hopi para realizar a meditação do Labirinto. Acompanham 36 pedras coloridas e apostila (polígrafo) com explicação detalhada sobre as posições das pedras e demais tradições e rituais das Rodas de Cura.
Solicite orçamento pelo e-mail: wakan.wood@gmail.com
Informe o CEP do endereço de entrega para que possamos te enviar o orçamento completo

O Amor à Natureza Guiando o Coração



“Os Lakhota de antigamente eram sábios. 

Sabiam que o coração do homem que se afasta da natureza se torna duro. 

Sabiam que a falta de respeito pelas coisas vivas e que crescem depressa, desemboca numa falta de respeito pelos seres humanos.

Por isso, mantiveram sempre suas crianças próximas da suavidade da sua influência.”

Chefe Urso Em Pé – Oglala Sioux

Oyate Wacinyapin – Russell Means


 
O Trovão Oglala Siox que estremeceu o governo americano

Seu nome em Lakhota significa Obras Para O Povo. Nasceu em Wanblee, South Dakota, na Reserva Indígena Pine Ridge, no dia 10 de novembro de 1939, sob a Lua do Tempo Frio, a segunda Lua de Mudjekeewis, Guardião do Oeste, a Direção de onde vem o Trovão, o Relâmpago e a Chuva. Tendo como seu totem animal a Poderosa Cobra e carregando dentro de si, o poder da transformação, para ele mesmo e para o seu povo.

Sua infância foi dura, ele viveu em várias reservas indígenas em todo os Estados Unidos. Seu pai, Means Hank, desgostoso e sem nenhuma esperança para o futuro, assim como quase todos os homens das Reservas Indígenas Americanas, se tornou alcoólatra e Russell Means,o filho mais velho, caiu em anos de evasão escolar e drogas antes de encontrar propósito no Movimento Indígena Americano (AIM) e se tornar o índio americano mais conhecido desde Sitting Bull e Crazy Horse. Doutorado em Estudos Indígenas pela Sinte Gleska University é o líder indígena mais revolucionário do final do século XX.

Means tem sido ativo em questões internacionais de povos indígenas junto às Nações Unidas, incluindo o trabalho com grupos na América Central e do Sul. Ele tem sido ativo também, na política em sua terra natal, Pine Indian Ridge Reservation, e em nível estadual e nacional.

Hoje, aos 72 anos e com câncer de esôfago, continua a ser uma das vozes mais magnéticas da América e luta pelo estabelecimento de uma Escola de Imersão Total, que é baseada em um conceito criado pelo povo Maori, da Nova Zelândia, onde as crianças indígenas da América do Norte estarão imersas na linguagem, cultura, ciência, música e narração de histórias de seu próprio povo, que irá devolver-lhes sua identidade e lhes dar um sentido para a vida.

Fonte: baseado no russelmeansfreedom.com
 

O Aro da Nação Vermelha foi quebrado e espalhado


“Sou agora um obscuro membro de uma Nação que outrora honrou e respeitou as minhas opiniões. O caminho para a glória é duro e muitas horas sombrias obscurecem-no. Que o Grande Espírito os ilumine e que vocês nunca experimentem a huminlhação a que o poder do governo americano me reduziu. Eis o desejo daquele que, nas florestas onde nasceu, foi outrora tão orgulhoso e audaz quanto vocês.”

Chief Black Hawk (Falcão Negro – Chefe Sauk e Fox)

“Eu estava então de pé sobre a montanha mais alta de todas, e, por debaixo de mim, em meu redor, estava todo o aro do mundo. E enquanto ali estava, vi mais do que posso expressar. Porque via de maneira sagrada, a forma de todas as coisas no espírito, e a forma de todas as formas tal como devem viver juntas como um só ser. E vi que o aro sagrado do meu povo era um de muitos aros que formavam um círculo, amplo como a luz do dia e o resplendor das estrelas, e que no centro crescia uma imensa árvore florida que abrigava todos os filhos de uma Mãe e um Pai. E vi que era sagrado.

Tudo o que o Poder do Universo faz, o faz em forma de círculo. O céu é circular e ouvi dizer que a Terra é redonda como uma bola e que também as estrelas são redondas. O vento, na sua força máxima, forma um redemoinho. Os pássaros fazem os seus ninhos em forma de círculo, pois têm a mesma religião que nós. O sol sai e se põe em círculo, como a lua, e ambos são redondos. Até as estações formam um círculo enorme na sua mutação e voltam sempre para onde estiveram. A vida de um homem é um círculo de infância a infância e o mesmo ocorre com todas as coisas onde o Poder reside.

As nossas tipis eram redondas como ninhos de pássaro e dispunham-se sempre em círculo, o Aro da Nação, ninho de múltiplos ninhos, no qual o Grande Espírito desejava que nós chocássemos os nossos filhos. Os wasichus (homens brancos) puseram-nos nestas casas quadradas. O nosso poder foi-se e estamos a morrer, porque o Poder já não está em nós. Vocês podem olhar para nossos rapazes e ver o que nos está a suceder.

Quando vivíamos sob o Poder do Círculo na forma de vida, os rapazes tornavam-se homens ao doze ou treze anos. Mas agora, precisam de muito mais anos para amadurecer. Bem, é como é. Somos prisioneiros de guerra enquanto aguardamos aqui. Mas existe um outro mundo. Não sabia então quantos morreram em Woundedknee (falando do massacre aos Cheyennes do Sul, liderados pelo Grande Chefe Chalera Petra).

Quando olho para trás, agora, a partir desta alta colina da minha velhice, ainda posso ver as mulheres esquartejadas e as crianças jazendo empilhadas e espalhadas ao longo da curva da enchurrada, tão claramente como as vi com olhos ainda jovens. E posso ver que uma outra coisa morreu lá na lama ensangüentada, e foi enterrada na neve. O sonho de um povo morreu lá. Era um belo sonho... Vêem-me agora, um velho lamentável que nada pode fazer, pois o Aro da Nação foi quebrado e espalhado. Já não há Centro e a Árvore Sagrada morreu.”

Chief Hehaka Sapa - Oglala Siox (1863-1950)

A verdade sobre o escalpo


    
“Os colonos holandeses, franceses e ingleses tornaram popular o costume introduzido na América pelos espanhóis, de oferecerem prêmios pelos escalpos de seus inimigos do Novo Mundo, os índios.”

Os índios do México e América do Norte NUNCA praticaram o escalpo ou mataram velhos, mulheres e crianças, eles achavam que um homem nunca poderia descer tão baixo. Quem o fazia eram os brancos. 
 
“Em 18 de agosto de 1863, o General Carleton, decidiu estimular o zelo de suas tropas, estabelecendo um prêmio em dinheiro pelo gado navajo capturado. Ofereceu 20 dólares por cada cavalo ou mula sadios e aproveitáveis, e um dólar por cabeça pelos carneiros trazidos ao oficial de intendência, em Fort Canby.

Como o salário dos soldados era de menos de 20 dólares mensais, a oferta liberal estimulou-os bastante e alguns dos homens estenderam-na aos poucos navajos que podiam matar. Para provar suas habilidades militares, começaram a cortar o punhado de cabelo que os navajos prendiam com uma faixa vermelha na cabeça. Os navajos não podiam acreditar que Carson permitisse o escalpo, que consideravam um costume bárbaro introduzido pelos espanhóis.”

“Num pronunciamento público feito em Denver, em 1859, pouco antes do massacre dos Cheyennes, o Coronel Chivington defendeu a morte e o escalpo de todos os índios, mesmo crianças:

- Dos ovos é que nascem os piolhos.”

“...Quando o Coronel Chivington foi até o alojamento dos oficiais em Fort Lyon, o Major Antothony recebeu-o calorosamente. Chivington começou a falar de colecionar escalpos e nadar em sangue.” (planejando o massacre aos Cheyennes)

“...A descrição de Robert Bent sobre as atrocidades dos soldados foi corroborada pelo Tenente James Connor:

- Ao passar pelo campo de batalha no dia seguinte, não vi um corpo de homem, mulher ou criança que não estivesse escalpado e, geralmente, os corpos estavam mutilados da maneira mais horrível, homens mulheres e crianças com os genitais cortados; ouvi um soldado dizer que havia cortado as partes genitais de uma mulher e as pendurara num pau para mostrar; ouvi outro soldado dizer que cortara os dedos de um índio para ficar com os anéis da mão; segundo meu melhor conhecimento e crença, essas atrocidades foram cometidas com o conhecimento do Coronel J.M. Chivington e não sei de qualquer medida que ele tenha tomado para impedi-los, ouvi o caso de uma criança de poucos meses que foi jogada no interior de um carroção e, depois de ser levada a alguma distância, deixada no chão para morrer; também ouvi vários casos de homens que cortaram genitais de mulheres e os penduraram no arção da sela ou os usaram nos chapéus, quando cavalgavam nas fileiras.”

(do relatório do Tenente James Connor, sobre o massacre aos Cheyennes)

“...Assim que sua ferida sarou, George voltou ao rancho do pai. Ali, ouviu do seu irmão Charlie mais detalhes das atrocidades dos soldados em Sand Creek – os horríveis escalpos e mutilações, a carnificina de crianças e bebês. Depois de alguns dias, os irmãos decidiram que, como mestiços, não queriam mais fazer parte da civilização do homem branco e deixaram silenciosamente seu rancho, partindo para o norte, a fim de se juntarem aos Cheyennes.”

“...O acampamento estava indefeso, sendo mais de velhos, mulheres e crianças, vários dos quais doentes de varíola (que contrariam usando os cobertores propositamente contaminados enviados a eles pelo governo americano). Dos 219 piegans no acampamento, só 46 escaparam para contar a história; 33 homens, 90 mulheres e 50 crianças, foram mortos a tiros quando corriam para fora de suas tendas.”

“De quem foi a voz que primeiro soou nesta terra? A voz do Povo Vermelho, que só tinha arcos e flechas... O que foi feito em minha terra, eu não quis, nem pedi, os brancos percorrendo minha terra... Quando o homem branco vem ao meu território, deixa uma trilha de sangue atrás dele...”

Chefe Mahpiua Luta, dos Sioux Oglalas (Nuvem Vermelha)


Trechos do livro – Enterrem Meu Coração Na Curva Do Rio – escrito por Dee Brown, uma das maiores autoridades na História do Oeste Americano, e que em 1970, trouxe a público o holocausto americano ao Povo Vermelho e toda a verdade sobre os índios.